Por que Gestão de Impacto Social?

Quando falamos em projetos sociais, sejam eles grandes ou pequenos, os recursos costumam ser limitados. E por recursos podemos considerar os seguintes elementos: pessoal ou mão de obra, financeiro ou prazo. Portanto, executar projetos sociais de maneira eficiente é essencial para que o impacto social do projeto seja alcançado. E uma das formas de aumentar as chances para que o seu projeto social seja bem-sucedido é aumentando o seu conhecimento na disciplina de Gestão de Projetos.

Quanto maior o nosso conhecimento, maior o nosso repertório para entender as nuances e particularidades de cada projeto. Aqui, tomamos emprestado o termo repertório das disciplinas de comunicação. Repertório é todo conhecimento que acumulamos através nas nossas experiências pessoais, profissionais e acadêmicas.

Na disciplina de Gestão de Projetos, associamos este conceito do repertório às ferramentas.

Mas como assim?

Pense que na sua casa você tem uma caixa de ferramentas. Se o seu intuito é pendurar um quadro, utilizamos uma furadeira com um parafuso ou um martelo e prego, dependendo do tipo da parede, das dimensões do quadro ou de qual ferramenta você tem.

Desta forma, quando executamos projetos sociais precisamos ter algum repertório. Saber quais ferramentas existem, para quais aplicações elas se adequam e quais são as boas práticas para utilizá-las.

Qual a metodologia que será utilizada?

Em Gestão de Projetos existem vários métodos que relacionam quais são as boas práticas para a execução de um projeto com sucesso. A mais tradicional é o PMBOK do PMI, ou em português, Livro de Conhecimentos da Gestão de Projetos do Instituto de Gerenciamento de Projetos, mas podemos destacar outros métodos, como o PRINCE2, Scrum, Kanbam, entre outros. No entanto, para este artigo usaremos a metodologia Project e Program DPRo (também conhecida como PMDPro ou PgMD). Isto, porque o Project DPRO foi desenvolvido com o contexto dos projetos sociais em mente.

Portanto, se você pretende entrar no mundo dos projetos sociais, separamos uma lista com 5 ferramentas essenciais para atuar na área.

5 – Triângulo de Gestão

Conhecido como triângulo de gestão ou triângulo de ferro, ela é a ferramenta mais básica que aprendemos nas disciplinas de Gestão de Projetos Sociais. Representada por um triângulo, cada aresta representa um destes elementos: escopo, prazo e recursos.

Por escopo entendemos o que o projeto pretende entregar. Por prazo, qual intervalo de tempo o escopo deverá ser entregue e por recursos, o que temos disponível na organização (ou precisamos captar, contratar) para entregar o escopo dentro do prazo. Particularmente não gostamos muito da menção desta ferramenta como triângulo de ferro. Isto porque a impressão que temos é que ele é imutável. No entanto, quando olhamos para a realidade percebemos que estes três elementos do triângulo são impactados por fatores internos e externos que estão ligados ao projeto. Portanto, diz-se que o grande desafio de um gerente de projeto é justamente fazer uma boa gestão do triângulo .

[Figura 1: Imagem do triângulo de gestão, com cada aresta indicando um dos seus fatores, com setas indicando a dinâmica do triângulo e os fatores de risco.]

4 – Matriz de Riscos

Estudos indicam que gerentes de projetos que trabalham com uma matriz de riscos dormem melhor! Apesar desta afirmação ser uma brincadeira, todo mundo que já trabalhou com um projeto já se perguntou: E se determinado cenário acontecer? Isto será bom? Será ruim? Estamos preparados para caso ele aconteça?

O objetivo da matriz de riscos é listar estes cenários e estabelecer critérios de probabilidade e impacto, além de medidas que podem orientar a equipe do projeto para saber como melhor lidar com cada situação. Isto é feito pelo mapeamento do tipo de resposta a cada risco. Elas são: Aceitar, transferir, mitigar e evitar.

Quer mais detalhes sobre o gerenciamento de riscos? Confira aqui o nosso artigo na Folha de São Paulo e o nosso dashboard de gestão de riscos.

3 – Árvore de Problemas

Qual problema social o seu projeto se propõe a resolver? Em relação à este problema, quais são as suas causas e quais são os seus respectivos efeitos?

A proposta da árvore de problemas é desenhar um retrato do ecossistema do problema que se pretende resolver, listando as suas respectivas causas e efeitos, usando como referência o desenho de uma árvore onde o tronco representa o problema principal, as raízes as causas e as folhas os seus efeitos.

Com este retrato do ecossistema conseguimos visualizar quais são os aspectos que influenciam a situação que propomos resolver e com isto será possível direcionar de forma estratégica, os esforços da organização para mudar ou eliminar as causas com a expectativa de que os efeitos sejam positivos. A árvore de problemas é uma ferramenta de design thinking, normalmente produzida de colaborativa entre os participantes da equipe de projeto, e muitas vezes, com contribuições da comunidade, patrocinadores ou outros interessados. Ela também é conhecida como Diagrama de Ishikawa, espinha de peixe ou diagrama de causa e efeito.

[Figura 2: Imagem da árvore de problemas, fazendo um paralelo entre a estrutura de raízes, tronco e folhas com as causas, problema central e as folhas.]

2 – EAP – Estrutura Analítica do Projeto

Das ferramentas listadas, a EAP é uma que está em 11 de 10 cursos de Gestão de Projetos. Também conhecida como WBS – Work Breakdown Structure, ela é uma ferramenta que se propõe a organizar de forma hierárquica o trabalho a ser realizado para entregar o escopo do projeto. A estrutura dela é um organograma, onde acima listamos os principais entregáveis e a cada nível inferior, aumentamos o detalhamento, dividindo as atividades em pacotes de trabalho.

[Figura 3: Representação hierárquica de um projeto dividido em três entregas.]

1 – Marco Lógico

Por fim, se não uma das ferramentas mais conhecidas, é certamente uma das mais solicitadas em nossas capacitações e durante nossas consultorias e/ou mentorias.

O marco lógico ou matriz lógica se propõe a sintetizar a teoria da mudança do projeto em uma estrutura… Lógica. Mas como assim?

No seu eixo vertical, a teoria da mudança do projeto é dividida em atividades, resultados, objetivos e impacto. Desta forma, se as atividades forem realizadas, resultados poderão ser obtidos. Se os resultados forem obtidos, eles devem estabelecer condições para que os objetivos sejam atingidos. E se os objetivos forem atingidos, o projeto deve contribuir para o impacto social. Como elemento horizontal da matriz temos os indicadores, fontes de verificação e os pressupostos. Você poderá conhecer um pouco mais sobre o marco lógico e baixar um modelo em excel aqui neste artigo do site.

CONCLUSÃO

Esta é apenas uma pequena amostra do repertório de ferramentas da disciplina de gestão de projetos. E naturalmente, todas as ferramentas listadas aqui se relacionam e fornecem insumos para a tomada de decisão no decorrer do ciclo de vida do projeto.

Mas ter apenas 5 ferramentas no seu repertório talvez não seja suficiente. E além disto, precisamos saber como melhor utilizá-las para que sirvam ou seu propósito.

Por isto, apresentamos o nosso curso de Gestão de Projetos Sociais e de Especialização em Avaliação de Impacto. Durante os cursos ensinamos mais de 30 ferramentas, todas direcionadas de forma que auxilie você a tornar o seu projeto mais eficiente e para que o seu impacto na sociedade seja mais positivo. Estamos sempre com turmas abertas… Aproveite para se inscrever agora mesmo!

Você conhece alguma outra ferramenta e acha que ela deveria estar aqui? Fale sobre ela nos nossos comentários e colabore com a comunidade de gestão de projetos sociais.