Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – Sobre dar voz por Catherine Jimenez

Ontem, dia 03 de dezembro, foi o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, dia que vem com o objetivo de informar e conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão, seja com relação a aspectos da vida social, quanto política, econômica e cultural!

E para colocarmos em prática esta corrente de informação e conscientização, escrevo este artigo contando um pouco da pesquisa que realizei em minha Iniciação Científica, onde abordei a Mobilidade Urbana e a acessibilidade para pessoas com Síndrome de Down (SD) na cidade de São Paulo.

Essa pesquisa durou em torno de 4 anos, onde busquei compreender quais eram as necessidades deste grupo ao locomover-se na cidade. Ou seja, naqueles primeiros meses de pesquisa, eu queria compreender as dificuldades que os SDs tinham ao realizar atividades básicas para a sua autonomia, como: Ir até um mercado, ao trabalho, ao banco, ao parque ou até mesmo caminhar para fins de exercício!

Gosto muito de comentar não só os resultados da pesquisa, mas também seu processo de criação, pois, além de ter identificado as dificuldades e necessidades, também aprendi a dar voz às pessoas com Síndrome de Down.

Digo isso, pois iniciei meus primeiros meses analisando pesquisas secundárias, compreendendo se já haviam estudos com este objetivo e logo determinei que realizaria a aplicação de um questionário pré desenvolvido que nada mais era do que uma avaliação de identificação de dificuldades do dia a dia, somado a perguntas relacionadas ao trânsito de SP.

Parecia interessante, se eu não tivesse escolhido conversar apenas com os pais.

As identificações foram ótimas, compreendi pontos que eu nunca tinha imaginado como: As pessoas com SD tem dificuldades em passar a catraca do ônibus devido seu baixo tônus muscular (estado de repouso dos músculos) ou mesmo para subir ou descer uma escada.

Porém, o ponto que mais me chamava atenção era a superproteção dos pais! Eu via que alguns filhos/sobrinhos/etc se incomodavam com o fato do pai/tio/cuidador falar que eles não podiam realizar determinadas atividades como ir ao mercadinho.

E então comecei a repensar sobre esta aplicação.

REFLETI.

MUDEI.

Se a minha pesquisa era direcionada para a identificação das necessidades das pessoas com Síndrome de Down, eu precisava conversar com ELES! E não com os pais!

Eu queria dar voz a essas pessoas e foi o que eu fiz!

Meu primeiro passo foi descartar os questionários massivos e pré desenvolvidos na área acadêmica, depois, passei a pensar que eu queria construir uma ferramenta de identificação de necessidades, porém, não sozinha! COM ELES!

Então, comecei a conversar com algumas organizações sociais que trabalhavam com deficiência intelectual, com o objetivo de construir um grupo de co-criação do questionário! E CONSEGUI!

Marcamos alguns encontros, onde a partir de um questionário base, cada uma das pessoas com SD presentes me falavam o que achavam das perguntas, se eram compreensíveis, se tinha uma forma de simplificar, se utilização de imagens colaboravam para visualizar o contexto etc. Foram em torno de 2 a 3 encontros para a construção do desenho atual.

Tudo, claro, com a supervisão da minha orientadora, a presidente de organização, pedagogos e professores!

FOI INCRÍVEL!

Depois desses dias de construção, voltei aos meus estudos, organizei todo o conhecimento que aquele pequeno grupo havia me passado e fechei um questionário que tenho orgulho de dizer que não é MEU, mas sim, NOSSO!

Após este processo, passei a marcar entrevistas com diversas organizações sociais, institutos, até mesmo conversava em grupos de pais no facebook, onde eu apresentava minha pesquisa para marcarmos a entrevista.

Assumo que a cada entrevista eu via de perto a importância da inclusão, com como eles estavam felizes em poder contribuir, em como sempre surgia um desabafo sobre eles quererem realizar determinadas atividades básicas e não poderem!

Claro, eles compreendiam a superproteção dos pais, mas sabiam que se alguns fatores externos mudassem, eles poderiam dar o primeiro passo à autonomia!

Foram diversas entrevistas, risadas, queixas, ou seja, VOZ!

Gosto desta pesquisa que realizei não só porque compreendi a importância do uso do corrimão, de como o vão entre o trem e a plataforma pode ser perigoso, como as placas de sinalização não são acessíveis ou até mesmo como o sistema de identificação do transporte é falho. Mas, também por ter dado a possibilidade DELES me FALAREM o que PRECISAM!

Deixo aqui minha mensagem para que sempre que tiverem uma ideia, seja ela acadêmica, seja ela uma iniciativa ou pequeno projeto, abram espaço para que o seu beneficiário FALE! Só ele sabe o que ele realmente precisa!

DÊ VOZ!


Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
Por: Catherine Jinemez,
Analista de Projetos Sociais na Ink Inspira.