O QUE É SER PROFESSOR? O QUE É SER PROFESSORA? – Artigo especial Dia dos Professores

O QUE É SER PROFESSOR? O QUE É SER PROFESSORA? – Por Ivânio Dickmann

Esta pergunta é pertinente! Reconheço que a minha identidade como educador foi se construindo ao longo de minha trajetória profissional. Vou compartilhar o que é ser professor ou professora na minha ótica... me diga se concorda, se discorda, se tem mais coisas, mais lugares e práticas, posturas pedagógicas... vamos ampliar este texto juntos?

Ser um professor(a) hoje, no Brasil, é resistir! Resistir a precariedade de recursos públicos investidos na Escola e na Universidade. Resistir ao desrespeito com nosso lugar no processo pedagógico. Todo mundo acha que sabe mais que os professores/as, mas ninguém quer assumir seus lugares, porque ganhamos salários ofensivamente baixos se comparado com outros profissionais, tão importante quanto nós, na construção das pessoas enquanto seres humanos e cidadãos. Contudo, seguimos, na contramão da História, seguindo nossos princípios e nosso propósito.

Ser um professor(a) hoje, no Brasil, é um compromisso. Os educadores e educadoras têm compromisso com a Educação. Sabemos da importância e relevância do processo pedagógico para cada pessoa (criança, jovem ou adulto) que ocupa uma vaga nas creches, nas escolas e nas universidades. É nesse lugar, com a intervenção dos professores/as que as pessoas evoluem, aprendem como conviver em sociedade, como “ler a palavra e ler o mundo” como já anunciou o Patrono da Educação no Brasil, Paulo Freire. Não abrimos mão deste compromisso, embora às vezes, não haja o reconhecimento à altura.

Ser professor(a) hoje, no Brasil, é um gesto revolucionário de amor. Sim, de amor. Sim, revolucionário. É preciso ser movido por um sentimento muito forte para suportar o que os professores(as) tem que passar nos seus espaços educativos. Este sentimento que nos move é o Amor. Amor pelos nossos alunos(as), amor pela comunidade escolar, amor pelos pais e mães que nos abraçam nos encontros da vida, amor pelo mundo que queremos e que sonhamos em transformar com nossa ação educativa. E, por fim, é revolucionário porque, em tempos de retrocesso civilizatório, os educadores(as) seguem na luta por um mundo melhor. Movidos pelo sonho e pela utopia de que, um dia, muito em breve, o que ensinamos se materializará no cotidiano da vida. E o mundo e a vida serão bem melhores do que hoje.

Resistência, compromisso e amor. Sobre estes três pilares nos movemos e nos unimos na ação pedagógica transformadora. As escolas e as universidades são feitos de gente. Estas instituições dependem da ação dos educadores(as). Não há educação sem tomada de consciência. O contrário é depósito abstrato e desconectado da realidade concreta. Educar não muda o mundo, mas pode mudar as pessoas, e essas sim, são capazes de mudar o mundo. Sigamos na resistência, no compromisso e unidos pelos laços do amor revolucionário.

Feliz dia dos professores e professoras! Nos encontramos na luta!

 

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Artigo escrito por Ivânio Dickmann,
Facilitador Ink Inspira, mestre em Serviço Social e Políticas Públicas, autor dos livros "Impacto Social",
"Primeiras Palavras em Paulo Freire" e "365 Dias com Paulo Freire" e, acima de tudo, um apaixonado pela educação.